quinta-feira, 24 de abril de 2014

Livro 2/12. Indicaçao de leitura:

Terminei a segunda leitura do ano. Não vou me culpar nem justificar meu atraso (era para estar na quarta leitura, considerando a leitura de um livro por mês), sinto que estou em atraso com a minha vida, então está tudo certo já que temos todo o tempo do mundo.
O SAL DA VIDA escrito pela antropóloga Françoise Héritier é um exercício que deveria ser praticado diariamente por todos nós, antes de dormir ou ao acordar, uma lista das pequenas ou simples coisas que tornam nossa vida interessante, que nos realiza, que tempera nossa vida. Eu que sempre pensei que o bom da vida era doce, acabo de concordar que o bom mesmo é o Sal, o tempero, e quem sabe até o limão e a pimenta, necessários para nossa formação.
Antes de divulgar o que representa o sal da minha vida (atividade proposta ao final do livro) quero compartilhar um trecho dessa jóia.
"A seleção das recordações é feita sem intervenção da vontade, e a psicanálise conhece bem as razões da necessidade de se esquecer, mesmo que nem todas as lembranças esquecidas resultem do inconsciente. O acontecimento se vai (...) mas o essencial fica. (...) Recordações demais nos deixariam paralisados. Restam os protótipos daquilo que, de fato, nos afetou no grande registro das emoções possíveis."

E o que representa para mim o SAL DA VIDA, até o momento, também daria um livro, mas em resumo é o que compartilho aqui.

Cheiro de terra molhada, gargalhar até cairem lágrimas, bater bolo a mão, dourar cebola na manteiga, ver o resultado após a organização de um armário, rolar na grama, sentir o mar molhar o corpo e o sol aquecer aos poucos, banho de cachoeira, ganhar abraços sinceros e apertados, ser reconhecida, reciprocidade, ter senso comum e perceber que outras pessoas também tem, cumprimentar ou ser cumprimentado por um estranho, ver ou fazer uma gentileza, ouvir histórias da sua vida, rever fotos antigas, ouvir que você fez falta, esperar pelo carteiro, escolher a decoração da casa (mesmo no imaginário), andar de bicicleta, caminhar sem destino definido, dormir uma noite inteira, observar os pratos nos restaurantes, subir em árvore, ganhar festa surpresa, ganhar presente fora de datas específicas, perder o ar em Machu Picchu, ser dona de uma biblioteca, ter a família reunida em volta da mesa, rir de si mesmo por não conseguir assoviar, saber a letra daquela música e achar que sabe cantar aquela outra, dançar sozinha em casa, ir atrás do trio elétrico, observar a estrada por horas seguidas, rever amigos antigos, fazer novos amigos, ser útil para alguém, poder concluir o Caminho de Santiago, comer camarão, ouvir sotaques, ajudar um irmão, fazer sacolé ou chup chup, tomar banho de chuva, poder comprar aquela roupa que foi feita para você, descobrir a cura de um problema de saúde, ensinar alguma coisa a alguém, ver uma criança imitando e rindo de seus sons labiais, correr na areia, se sentir linda ao acordar, achar dinheiro esquecido no bolso, fazer mil planos, viajar mentalmente, ter fé, concluir a leitura de um livro, se sentir amada e única mesmo com todos os defeitos, planejar a próxima viagem, viajar, planejar a próxima viagem, viajar, planejar a próxima viagem e viajar! Ter gosto pelo sal da vida, pela vida e por viver!

2 comentários:

  1. to descobrindo que viajar é o melhor remédio. Amei o texto como sempre. Gabi.

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